Atol das Rocas

Nosso próximo destino após o Arquipélago de São Pedro e São Paulo era o Atol das Rocas. Quando chegarmos lá devemos encontrar o Veleiro Voyager, da Atlantis Divers de Fernando de Noronha, capitaneado pelo nosso amigo Nico, que estará lá com uma equipe da Unesco que fará um documentário sobre o atol.

 

Inicialmente, como não tínhamos maiores informações sobre os riscos de aterramento e fundeio no Atol das Rocas, novamente buscamos essas preciosas informações na publicação da Marinha do Brasil chamada “Roteiro Costa Leste”.

Segundo o Roteiro Costa Leste: “O atol das Rocas é constituído por um conjunto de rochedos de formação coralígena, de formato quase circular, com extensões de cerca de 1,5M na direção N–S e 1,8M na direção E–W, e que parece ser o cume de uma extraordinária montanha submarina.

Está situado 126M a NE do cabo Calcanhar, extremo nordeste da costa do Brasil.

Só é avistado de distância inferior a 5M, sendo um perigo à navegação sinalizado por um farol. Alguns navios já soçobraram nesse local e vestígios de cascos podem ser encontrados nas ilhas e rochedos.

Na preamar só aparecem duas pequenas ilhas e alguns rochedos da parte oeste do atol das Rocas.

O reconhecimento do atol das Rocas é dificultado por sua baixa altitude e pela natureza do fundo nas suas proximidades, com declive muito acentuado e grandes profundidades a poucas milhas do atol.

Os únicos pontos que auxiliam a aproximação são as ruínas existentes na ilha do Farol e o farol Rocas. À noite, deve-se ter especial cuidado porque, em virtude da sua localização, o farol pode estar apagado sem o correspondente aviso aos navegantes.

Durante o dia, a presença de grande quantidade de aves marinhas que vivem no atol constitui o primeiro sinal de sua aproximação.

A demanda do fundeadouro deve ser feita por noroeste da ilha do Farol, marcando o farol Rocas aos 118° até atingir a isóbata de 20m. Nesta demanda deve-se atentar que a ruína do antigo farol está enfiada com o atual farol e é mais visível que este, obstruindo a sua visão.

O acesso à ilha do Farol só pode ser feito por embarcação miúda ou jangada, havendo duas barretas, uma a nordeste e outra a noroeste.

O acesso pela barreta de noroeste pode ser efetuado na meia-maré de enchente e com tempo bom. Na preamar é possível atingir a ilha do Farol passando por cima dos rochedos. A transparência das águas permite ver o fundo, possibilitando a escolha do melhor caminho.

O desembarque ou embarque de material e pessoal na baixa-mar é dificultado pela forte arrebentação existente.

A barreta de nordeste só permite acesso com tempo muito bom e vento fraco.

Ilha do Farol

(03°51,4’S – 033°49,2’W) – É a ilha mais ao norte do atol, de formação arenosa, onde há ruínas da casa do faroleiro e do antigo farol. Há também alguns coqueiros, remanescentes de uma tentativa de arborização. Nela está localizado o farol Rocas (1104), uma armação tronco piramidal quadrangular metálica com refletor radar, branca, com luz de grupo de 2 emissões rápidas brancas na altitude de 18m e alcance de 13M. A visibilidade do farol Rocas durante o dia, para quem demanda o fundeadouro no rumo 118°, é obstruída pela ruína do antigo farol (vistas V-1 a V-3).

Ilha do Cemitério

– 0,5M ao S do farol Rocas, tem um formato semelhante à ilha do Farol, é também baixa e arenosa, não tendo qualquer construção.

Nas proximidades do atol as profundidades diminuem abruptamente, de modo especial ao norte e ao sul. A leste e a oéste-noroeste o declive do fundo é menos acentuado.

A oeste-sudoeste, a pouco mais de 2M do atol as profundidades já são superiores a 1.000m.

Na aproximação da ilha do Farol deve-se ter atenção aos seguintes perigos.

Baixo Grande

– Pedras com menor profundidade de 4m na marcação 010° e distância de 0,38M do farol Rocas.

Baixo de Fora

– Pedras, com profundidades menores que 5m, na marcação 082° e distância de 1,5M do farol Rocas.

Pedra

– Na profundidade de 3,2m, marcação 087° e distância de 1,65M do farol Rocas.

Pedras

– Com profundidades menores que 2,3m, com o centro na marcação 227° e distância de 0,95M do farol Rocas.

Pedras

– Com profundidades menores que 2m, com o centro na marcação 247° e distância de 0,45M do farol Rocas.

Pedras

– Com profundidades menores que 2m, entre as marcações 305° e 319° e distâncias de 0,3M a 0,4M do farol Rocas.

Somente os navios ou embarcações autorizados podem fundear na área delimitada na carta por linha de limite de área restrita.

Para estes navios ou embarcações, o melhor fundeadouro fica a noroeste da ilha do Farol.

Posição – 03°51,1’S – 033°49,7’W

Profundidades – 10m a 20m

Natureza do fundo – pedra e cascalho

Abrigado dos ventos do E e SE.

Deve-se fundear marcando o farol Rocas entre 108° e 120° e nas distâncias de 700m a 1.200m

A corrente e o vento fazem o navio rabear entre as proas de 045° e 135°.

É aconselhável largar mais filame, porque o ferro não unha, em virtude da natureza do fundo.

Embora a probabilidade de soprar vento do W seja remota, deve haver especial acompanhamento das condições do tempo, durante o fundeio”.

Resumo da história, nossa aproximação ao Atol das Rocas deverá se dar com muita cautela devido as condições locais.

Ainda, segundo o Roteiro Costa Leste: “os ventos predominantes durante todo o ano são os do E e SE, com força 3 ou 4 da escala Beaufort e percentual de incidência superior a 40%.

Ocasionalmente sopram ventos do S, com força 3 ou 4 da escala Beaufort”.

Já as marés e correntes: “A maré no atol das Rocas tem características semidiurnas.

A região do atol das Rocas é banhada pela corrente Sul Equatorial, originada na costa da África, a partir da corrente de Bengala. Sua deriva tem a direção constante para W, com velocidade entre 0,8 nó e 1 nó. O aumento da força do vento pode aumentar consideravelmente a velocidade da corrente”.

O Atol das Rocas é um dos lugares mais inóspitos do nosso Brasil Ultramarino, lá não há recursos de qualquer natureza, inclusive água potável. Deve-se ainda ter o cuidado com animais peçonhentos pois lá podemos encontrar escorpiões.

Também há uma grande quantidade de aves marinhas que utilizam o atol para procriar. Encontramos nessas aves uma espécie de piolho que podem causar irritação na pele. Também podem ser encontrados camundongos e baratas. É evidente que esses indesejáveis animais não se constituem uma espécie endêmica, foram levados para o atol por nós seres humanos, escondidos nos mantimentos e equipagens.

O atol das Rocas é considerado Reserva Biológica, criada pelo Decreto nº 83.549, de 5/6/1979, e a área delimitada na carta por linha de limite de área restrita constitui Área de Proteção Ambiental, criada pelo Decreto nº 92.755, de 5/6/1986. O atol é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBIO, que nele realiza pesquisas de preservação biológica e controla a área da reserva.

O fundeio, desembarque, sobrevôo, pouso, mergulho, caça, pesca, despejo de lixo e qualquer alteração no meio ambiente são proibidos na área demarcada na carta por linha de limite de área restrita.

Por volta das 21h45min, do dia 03/10/2013, mantive contato rádio com a estação do ICM-Bio do Atol das Rocas. Solicitei autorização para o fundeio e pernoite no Atol das Rocas. Quando a autorização foi concedida nos estávamos a cerca de 11 NM do Atol.

Fundeamos às 23h15min. Havíamos percorrido um total de 392 NM, com uma velocidade média de 7,0 nós e máxima de 11,1 (nas últimas 24 horas). Nossa posição de fundeio foi a seguinte: 3º 51.369’ e W 033º 49.308’.

Na manhã do dia 04/10/2013, sexta-feira, às 06h00min, Wagner colocou o nosso bote na água para podermos ir até o Voyager falar com nossos amigos. Antes mesmo de deixarmos o Anakena, o bote do ICM-Bio se aproximou e informou que não poderíamos colocar o bote na água, nem mesmo para ir no Voyager. Diante de tal determinação içamos o nosso bote. Como ainda estávamos com problemas no nosso motor de boreste (bomba de água salgada), a Zelinha pediu que assim que consertássemos o motor avisássemos a base do ICM-Bio e deixássemos o Atol.

Meu sonho era poder descer e pisar nas areias do Atol das Rocas, mas o ICM-Bio estava com uma equipe da Unesco fazendo filmagens no Atol e nosso desembarque não poderia ser autorizado. Como não tinha o que ser feito, eu e Wagner fomos trabalhar no motor. Logo que acabamos o conserto levantamos âncora e saímos do Atol o contornando pelo lado norte. Nos encontramos com o Voyager que estava dando uma circunavegação no Atol com a equipe da Unesco. Nos despedimos e seguimos para Fernando de Noronha.

Após sairmos da área de preservação ambiental do Atol das Rocas, como já não havia mais proibição quanto a pesca, autorizei que Mário e Wagner pescassem. Não demorou muito e em pouco mais de meia hora estávamos com 5 barracudas a bordo

Fizemos filé de barracuda, embalados em saco para congelamento e colocamos no freezer para conservação.

Nosso próximo destino era Fernando de Noronha, com previsão de chegada na madrugada do dia 05/10/2013.

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